A transformação vem da fome. Palavras de Ronaldo Fraga

Mentalidades

Falta fome. É assim, de forma simples e objetiva, que Ronaldo Fraga fala sobre o que nos motiva a transformar sonhos em realidade. Vale cada segundo do trecho final da conversa que Marcelo Pimenta teve com ele, no Grande Hotel Ronaldo Fraga, em Belo horizonte.

 

Criatividade

Fraga diz que “transformação vem da fome, da falta ”, ou, poderíamos dizer, da necessidade, da ausência, da carência de recursos.  Isso nos remete às muitas referências que temos sobre criatividade e aos exercícios para desenvolvê-la.

Ser criativo requer iniciativa, buscar informações, pesquisar sobre um tema qualquer. Mas se não temos um problema, o que nos motiva a tomar qualquer iniciativa? Essa fome, sobre a qual Steve Jobs também falava, são os problemas que aparecem e para os quais precisamos encontrar solução. Interessante a metáfora da fome, porque ela é parte das nossas necessidades básicas, haja vista a pirâmide da Maslov, para as quais nossa busca de solução é, praticamente, instintiva.

Saindo da base da pirâmide, estando atendidas as necessidades básicas, devem surgir novos problemas, desafios, para que possamos exercitar a criatividade na busca de resolução. Disso, entendemos que não há criatividade sem pressão. O diagrama que mostramos aqui deixa bem claro as diferenças entre viver com baixa ou alta pressão, com baixa ou alta criatividade.

Mentalidades

Mario Persona, falando sobre criatividade, compara o desenvolvimento dos índios americanos com o dos índios brasileiros e diz que os primeiros, pressionados pelas carências advindas do clima frio, desenvolveram-se muito mais do que os segundos, cuja oferta de caça e comida era favorecida pelo clima estável.

A criatividade é uma capacidade inata, que nos permite ver o mundo com olhos únicos.

Ser criativo é um exercício cotidiano, por vezes esquecido em detrimento da rotina, mas que pode ser resgado. Para isso há uma série de atividades que podem ajudar. Por exemplo, andar por novos caminhos, ler temas diferentes, fazer muitas perguntas, desenhar – rabiscar mesmo – resolver enigmas, fazer exercícios de criatividade preparados por profissionais (encontra-se facilmente na internet), ficar sozinho sem fazer nada, e errar. Errar pode ser motivador para tentar de novo e descobrir que há sempre mais de uma forma para fazer qualquer coisa.

No entanto, é a pressão que nos obriga a buscar alternativas, a pensar fora do habitual, a ensaiar tentativas e erros. Essa pressão é a fome. Quem tem tudo à mão, inclusive dinheiro, precisar correr atrás de quê? De onde virá a fome para essas pessoas? Isso está intimamente relacionado com um segundo ponto, que é inspirador na conversa com Fraga e comentamos em seguida.

Valores

Generosidade e coragem são dois valores que eu super admiro”, é a fala final de Ronaldo. A coragem para enfrentar os desafios, a generosidade para ampliar a visão para além de si mesmo. Voltando ao diagrama, estamos falando do quadrante da missão, resultado de alta pressão com alta criatividade.

A palavra missão aqui extrapola o contexto empresarial, ao mesmo tempo em que pode contribuir nesse contexto. A missão é um encargo, uma incumbência, um compromisso, uma obrigação pessoal, que reconhecemos como nossa missão de vida e que nos desafia ao seu cumprimento.

É preciso coragem para descobrir e enfrentar nossa missão de vida, porque isso exige primeiro um processo que pode ser doloroso: o do autoconhecimento. Depois, mais coragem para se desenvolver e para trilhar o caminho em busca de chegar cada vez mais perto dela.

Se a nossa missão de vida coincide com a da empresa em que trabalhamos, estaremos em um mundo quase perfeito. Caso contrário, podem acontecer duas coisas: cairmos no piloto automático ou criarmos uma dupla jornada para nos realizarmos.

Como caminhantes, a exemplo dos peregrinos, nos libertamos dos pecados desenvolvendo virtudes e a generosidade é uma delas que, citada por Fraga, nos motiva a refletir. Generosidade não é altruísmo ou caridade, não é dar a quem não tem.  É o oposto de egocentrismo, de se sentir o centro de tudo. É a capacidade de ser benevolente, demonstrar afeto, apreço, estima pelo outro. Dar sem pedir em troca, sem cobrança. Um aprendizado dos mais difíceis. Mas quem disse que viver é fácil?

 

Nosso personagem, estilista, cenógrafo, autor e empreendedor, com muita criatividade, nos faz um alerta – ou um convite – com palavras fáceis, porém complexas em seu
s significados, a experimentar a fome com coragem e generosidade.

Premiado, inovador e mundialmente reconhecido, nos oferece, generosamente, sua visão de mundo. Veja o vídeo completo, de uma conversa que era sobre liderança criativa e que se tornou na apresentação de um verdadeiro líder criativo, com toda sua discrição e humildade.

 

 

Por Marcelo Pimenta (Menta90). Jornalista, professor e criador do blog Mentalidades.
Conheça as palestras e cursos que ele oferece e saiba como ele pode te ajudar a inovar.

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