Empreender ou intraempreender?

A onda de empreendedorismo em que vive o Brasil é altamente positiva, somos empreendedores por natureza, mas pouco empreendedores de oportunidades. Isso quer dizer que somos capazes de resolver nosso dia a dia empreendendo para sobreviver, com uma criatividade impressionante, mas quando se trata de organizar o pensamento para empreender diante das oportunidades de negócios somos muito despreparados e pouco hábeis para planejar e usar as ferramentas e as metodologias adequadas.

Isso vem melhorando, mas ainda falta muito. Perto dos 200 milhões de habitantes, o número de empreendedores no país ainda é uma gota no oceano. Uma pesquisa realizada pela Endeavor em 2015 revela que 60% dos estudantes querem empreender. Esse desejo é importante, a criação de riqueza e de oportunidades de trabalho irão surgir cada vez mais dos novos empreendimentos do que das empresas já estabelecidas. Mas precisamos desmistificar um pouco essa primeira impressão que a pesquisa nos causa e ajudar a galera a enxergar por outros ângulos, a encontrar, descobrir e criar oportunidades.

Por exemplo, pouco se fala sobre intraempreender, o ato de empreender dentro das empresas, uma corrente importante para as instituições de ensino mostrarem como um objetivo de carreira que também pode ser alcançado. Cada vez mais se busca por talentos com visão critica, com MVP embutido, e aqui não me refiro ao mínimo produto viável, mas a Margem de Viração Própria mesmo, aquela atitude diante da vida que esta na inquietude de empreender ideias.

A arte de sonhar e realizar

Explicando melhor: o empreender, conceito que vem sendo explorado pela mídia, é uma atividade que está relacionada à criação de empresas, de riqueza, criação de novos negócios e modelos de negócios, geração de empregos. É uma atividade de risco, onde empreendedores buscam desenvolver uma estratégia para modelar um negócio que possa entregar serviços ou produtos no mercado, e repito, assumindo integralmente o risco de acertar ou errar. É a atividade que linkamos direto às startups, mas não necessariamente tem de ser uma startup para ser uma atividade empreendedora. Por outro lado, sabemos que nem todas as pessoas possuem as características necessárias para liderar e tocar um negócio, e ninguém precisa ficar envergonhado por causa disso.  Sem stress moçada.

Com o Empreender no seu DNA

Tenho observado que as instituições de ensino estão tocando a “manada” para empreender, só se fala disso na mídia também, cria-se uma expectativa, como se fosse um modismo, como se agora quem não for empreendedor será um careta. Vamos com calma, também não é assim. Empreender é sem duvida algo que mudou a história da humanidade.  Empreendemos o tempo todo, na vida, nos relacionamentos, nos estudos e até nos negócios, e desde sempre. É da nossa natureza. Empreender é pra vida.

Entenda que você empreenderá sempre, mesmo que não pense nisso. Mas se você pensar nisso poderá ter resultados incríveis, com as tantas metodologias que existem hoje para ajudar você a se organizar. Entender que somos aptos por natureza a empreender é o primeiro passo para você reconhecer e acordar o empreendedor dentro de você, mas se você será empresário ou se você ira atuar como um agente empreendedor dentro da empresa dele, vai depender do seu momento atual, do seu preparo, dos seus sonhos e dos seus objetivos pessoais.

Intraempreender é também uma grande oportunidade

Já pensou em empreender como colaborador de uma empresa? Ser um Intraempreendedor tem uma função tão importante quanto criar uma empresa ou um negócio. Intraempreender é estar empregado pensando e agindo como empreendedor, agindo de forma independente, sendo proativo e trazendo novas ideias e inovações para a empresa em que trabalha. É ter capacidade de assumir riscos, vender suas ideias e enxergar oportunidades em benefício da empresa aonde os outros não veem, pois nesse caso a principal diferença é que os funcionários geralmente não têm os direitos sobre os produtos que criam. Mas isso é o de menos, já que estará aumentando seu status e o da empresa.

Aumentando inovação nas empresas

Umas das formas de Intraempreender é levar as metodologias das empresas inovadoras para dentro das empresas tradicionais, começar a modelar negócios, por exemplo.  Usar o canvas (do business model generation), o lean canvas e o design thinking para revisitar os fundamentos das empresas, dos seus produtos e seus serviços. São novas ferramentas com capacidade de uma análise objetiva das estratégias e modelo de negócio e até mesmo de produtos em curto espaço de tempo. Essa é uma forma de oxigenar, com um olhar fora da caixa, ao mesmo tempo em que se atua em uma instituição consolidada, com a vantagem de ter uma estrutura de empresa funcionando, ajudando o Intraempreendedor a manter o  foco na inovação e não na gestão, no marketing e no comercial.

Estamos consumindo inovação

Ao “Intraempreendedorismo” podemos creditar muitas inovações em produtos de empresas globais, de execução de ideias. Isso mesmo, empresas que tem o espírito de deixar as ideias fluírem num ambiente de compartilhamento e de sinergia de inteligências.  Saiba que a Nespresso nasceu de uma iniciativa dessas dentro da multinacional Nestlé, tradicional em produzir alimentos há séculos, que nunca produziu equipamentos e hoje fabrica a máquina de café mais conhecida e copiada do planeta. O objetivo da Nestlé não mudou, vender mais café, a forma de vender é que foi inovada. Os funcionários do Google são responsáveis por terem iniciado e desenvolvido do Google News, Google AdSense e Gmail, foi o ambiente criativo que deu musculatura a eles e à empresa.

Assim também acontece na DreamWorks, aonde os colaboradores são treinados a apresentar suas ideias em pitchs diretamente aos executivos, e assim fazer da criatividade o motor do maior estúdio de animação americano. Ideias que fazem fluir, ideias que trazem consigo energia de empreender são o novo drive que move as empresas mais inovadoras do planeta. Aos executivos cabe dar oportunidade, dar ouvidos e não cobrar somente acertos, mas erros que também trazem sabedoria do aprender fazendo, pivotando e prototipando até encontrar os resultados.

Currículo Canvas

As empresas terão cada vez mais oportunidades para Intraempreendedores, mas ainda estão se adaptando a isso também. As áreas de recursos humanos procuram por empreendedores nos currículos, mas essas atitudes geralmente não estão descritas, o RH tem que descobrir isso na entrevista e nos testes comportamentais que aplica.

Para ajudar, vai uma dica: não custa nada você escrever no primeiro parágrafo do seu currículo canvas o motivo pelo qual você quer trabalhar naquela empresa. Refaça seu currículo sob a ótica do Business Model You, reveja seus talentos e as suas motivações e ajuste seu foco e objetivos de carreira. Escreva que quer empreender e participar das atividades da empresa em busca de contribuir para inovar, essas palavrinhas mágicas cada vez mais irão brilhar os olhos dos líderes e dos empresários e cada vez mais abrir portas para quem quer aprender com eles também!

Pense em você como em um projeto, revise seu plano de negócios pessoal, seu plano de vida, seja o mais autêntico possível nos seus propósitos e impulsione seus talentos, essa é a palavra de ordem para você chegar lá. A vida do empreendedor é uma troca de aprendizagens constante, empreender é acima de tudo um aprender constantemente.

A colaboração do mundo novo das startups vai invadindo aos poucos o dia a dia das empresas tradicionais, colocando-as em sintonia com os novos tempos. Empreenda, intraempreenda, faça acontecer, descubra-se e ajude o mundo a mudar. Esse é o seu DNA.

 

Publicado originalmente no Canal da Rede TREM no Startupi: http://startupi.com.br/2016/03/empreender-ou-intraempreender/.  A Rede TREM tem curadoria dos editores do Mentalidades.

Autor: Tulio Severo Jr. é fundador do YABT Brasil, Jurado internacional do TIC Américas, empresário e acionista do Grupo Sabemi S.A. e da INFINITEPAR Participações Ltd, investidor anjo, coach e mentor de startups.

Tulio-Foto

 

Por Márcia Matos. Jornalista, especialista em educação a distância, estudiosa do mundo digital, com muita experiência em Tecnologia da Informação, consultora e palestrante, com vários artigos publicados. Ex- funcionária do SEBRAE e atualmente, na equipe do Laboratorium, é coautora do TREM – Trilha de Referência para o Empreendedor.

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