Fishgets, de Cuiabá, é exemplo do potencial dos Institutos Federais como celeiro do empreendedorismo inovador

Talvez muitos não saibam que 40 mil toneladas de alimentos são desperdiçadas diariamente no Brasil –  o que seria capaz de alimentar 19 milhões de pessoas. Os dados são de 2014 e foram divulgados pela Embrapa.  Ao mesmo tempo, a busca por uma alimentação saudável e sustentável tem aumentado o consumo de pescado no país. O consumo de peixe, apesar de nutritivo, saudável e saboroso, gera muitos resíduos que, na maioria das vezes, são descartados, causando custo e impacto ambiental.

Pensando numa forma de mudar essa realidade, as professoras Daniela Fernanda Cavenaghi e Luzilene Aparecida Cassol e o professor Wander Miguel de Barros, do Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), desenvolveram uma tecnologia que reutiliza o material que era descartado para transformá-los em alimentos. “A biodigestão transforma esse resíduo em polpa de peixe, isenta de espinhos e micro-organismos” explica Wander. “Essa matéria-prima pode ser utilizada para a fabricação de uma infinidade de produtos”. O primeiro desses produtos se prepara para ganhar o mercado – é o Fishgets, um nugget feito dos resíduos de peixe. “Tem o mesmo sabor e valor nutritivo que a carne do peixe” afirma Daniela. “Agora estamos trabalhando para produzir a sopa de caneca e o pirão instantâneo”. A equipe expôs seu produto no Startup Center, espaço dedicado à inovação na Feira do Empreendedor de Cuiabá, que encerrou sábado.

Alunos e professores do IFMT expõem os resultados da pesquisa tecnológica na Feira do Empreendedor do Mato Grosso

Alunos e professores do IFMT expõem os resultados da pesquisa tecnológica na Feira do Empreendedor do Mato Grosso

Dar visibilidade a iniciativas como essa, que resolvem problemas reais, transformando pesquisa aplicada em oportunidades de negócios é o objetivo do Desafio de Ideias, concurso promovido pelos Institutos Federais para apoiar o empreendedorismo inovador no ambiente acadêmico. No ano passado, a equipe ganhou Menção Honrosa na competição. “É uma oportunidade para que os jovens entendam que aquilo que eles pesquisam em sala de aula pode virar um negócio” explica Pedro Plese, Pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Pós-graduação do Instituto Federal do Acre (IFAC), responsável pela organização do X Congresso Norte e Nordeste de Pesquisa e Inovação (CONNEPI) da rede de Institutos Federais, que esse ano acontece em Rio Branco, de 30 de novembro a 3 dezembro. Qualquer aluno de Instituto Federal, seja de ensino médio, superior ou pós-graduação pode se inscrever gratuitamente pelo pelo sitehttp://connepi.ifac.edu.br/.

Para entender o potencial dos Institutos Federais na formação de empreendedores no Brasil basta olhar os números. Apenas no Acre existem seis campus (Rio Branco, Baixada do Sol, Sena Madureira, Cruzeiro do Sul, Xapuri e Tarauacá) que, juntos, atendem 3.250 alunos matriculados. O número de estudantes na Rede Federal em todo Brasil chega a 743 mil alunos em cursos de qualificação, técnicos, superiores de tecnologia, licenciaturas e programas de pós-graduação lato e stricto sensu em 562 unidades espalhadas por todo o Brasil. “O Connepi e o Desafio de Ideias despertam os jovens para a importância da Ciência e da Tecnologia e mostram como eles podem ser inseridos neste contexto” acredita Rosana Cavalcante dos Santos, reitora do IFAC.  “Para o empreendedor não existem apenas problemas, existem problemas com soluções. Ser empreendedor é criar ambientes mentais criativos, transformando sonhos em riqueza e o Desafio de Ideias é um laboratório de negócios para os estudantes da rede federal”.

Nuggets feitos a partir dos resíduos do Tambacu estão prontos para ganhar a mesa dos consumidores

“O Desafio de Ideias nos ampliou a visão, deixando de pensar apenas como pesquisador mas também empreendedor” acredita a professora Daniela. “Para nossos alunos, é uma oportunidade de ampliar a formação e fomentar o empreendedorismo”. Essa é também a opinião do professor Wander –  “Foi uma experiência única, inovadora, fez com que analisássemos as perspectivas da ideia, hipótese, até concretizar de fato o empreendimento”. Ele acredita que, para os alunos, é a chance de aprender a organizar e testar as ideias no mercado. ”Uma coisa são sonhos, planos, outra situação é a realidade, o mercado de trabalho, mão de obra, fornecedores, e o consumidor, então para empreender um novo produto esse tipo de evento é fundamental”.

 

Por Marcelo Pimenta (Menta90). Jornalista, professor e criador do blog Mentalidades.
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