Menta90

As melhores inovações fazem a diferença na vida das pessoas. Esse é o caso do Cataki, aplicativo brasileiro que conecta catadores a pessoas que desejam reciclar vários tipos de resíduos. Tive o privilégio de conhecer não apenas a iniciativa, mas também de conversar com os responsáveis por ela – o ativista Mundano, idealizador, e o coordenador do projeto, Breno Castro Alves -, após o Fórum NetExplo, em Paris, que premiou o Cataki como alternativa para reciclagem de produtos sólidos e referência para inovação social em todo o mundo.

O aplicativo foi escolhido dentre cerca de 2000 soluções, selecionadas por 19 universidades de diferentes países – localizados na América do Norte, Europa, região da Ásia-Pacífico, África, Oriente Médio e América Latina. Nos 11 anos em que existe o NetExplo, foi a primeira vez que um projeto brasileiro chegou aos Top 10. Em plena terça-feira de Carnaval (13 de fevereiro de 2018), os responsáveis pelo Cataki me concederam uma entrevista exclusiva, que inspirou este texto. Você pode ouvir ou assistir a entrevista completa, disponível no Canal Mentalidades.

Lixo que virou lucro

O que você costuma fazer com sobras de uma reforma? Para tirar o Cataki do papel, quatro anos atrás, os criadores enxergaram uma solução muito criativa numa pilha de madeira. Em vez de descartar os resíduos da reforma de seu escritório, decidiram usá-los como matéria prima para obras de arte, organizando uma grande exposição em São Paulo/SP. “Chamamos 250 dos maiores artistas urbanos do Brasil. Eles criaram peças, geramos uma exposição e reflexão artística sobre os catadores de recicláveis. Além disso, criamos um acervo que vale mais de R$ 100 mil. Ou seja, tínhamos um custo, que era aquela pilha de entulho, e transformamos aquele custo de R$ 500 num acervo de mais de R$ 100 mil”, contou Breno.

Iniciativa emergente

Sou um apoiador de soluções emergentes, aquelas em que os usuários tomam a iniciativa, fugindo do modelo antigo, hierárquico, de cima para baixo. O Cataki é exemplo de como uma plataforma colaborativa, solução emergente, pode mudar a realidade de uma profissão marginalizada no Brasil.

Quando perguntei sobre casos reais em que o aplicativo tenha sido usado para essa missão, Mundano contou a história da Fabiana e do Bispo, dois catadores que vivem na capital paulista. Depois de serem cadastrados no Cataki, eles participam de um grupo de WhatsApp, onde trocam informações. Foi assim que souberam que Bispo vende o quilo da garrafa PET por R$ 1,50, enquanto Fabiana vende o mesmo material por R$ 0,25. “É uma diferença de seis vezes no valor do material. Fabiana está na mão de um atravessador local, ela vende para um ferro velho perto da casa dela, enquanto Bispo já tem a sua Kombi e achou um comprador melhor. Então, só nessa troca de informação, com custo zero, a gente conseguiu aumentar em seis vezes a possibilidade de renda da Fabiana”, observou Mundano.

Ferramentas X Pessoas

A grande sacada e o trabalho do Cataki é esse, transformar a possibilidade da reciclagem numa atividade econômica não apenas viável, mas digna, para os catadores. O caminho encontrado vai além do emprego da tecnologia, e tem as pessoas como foco. Porque, como contaram os responsáveis, o aplicativo só funciona graças a uma interação e união de esforços entre comunidades de catadores e voluntários. O aplicativo usa uma tecnologia relativamente simples para mapear um serviço prestado por uma população à beira da miséria, que normalmente não tem acesso a esse tipo de tecnologia. Então, a inovação, nesse caso, está muito mais na prática da tecnologia do que no código, no desenvolvimento do app.

Gostou? Saiba mais sobre o projeto acessando o site do Cataki: http://www.cataki.org/#/

Se quiser apoiar esta e outras iniciativas que valorizam o trabalho dos catadores de recicláveis, clique aqui

Por Marcelo Pimenta (Menta90). Jornalista, professor e criador do blog Mentalidades.
Conheça as palestras e cursos que ele oferece e saiba como ele pode te ajudar a inovar.

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