Presidente do Sebrae acredita que o momento é para o empresário tomar uma atitude proativa e capacitar-se em vendas e finanças – temas essenciais para garantir a sustentabilidade do negócio em tempos de crise

Este dia 5 de outubro é especial para empreendedores dos pequenos negócios brasileiros. A partir deste ano, além de ser o dia oficial da Micro e Pequena Empresa, também passa a ser o marco do movimento Compre do Pequeno. “O ato de comprar dos pequenos negócios contribui para fortalecer os segmentos que mais geram empregos no país, resultando em ganhos para todos” acredita Luiz Barreto Filho, 53 anos, presidente do Sebrae desde fevereiro de 2011. “Muita gente acha que a melhora da economia depende mais de grandes empresas e não é bem assim. Nesse ano de ajustes, as micro e pequenas empresas têm papel fundamental na geração de emprego e na participação no PIB” justifica ele, ao explicar a razão do Sebrae ter lançado o movimento nesse momento que “tem sido de grandes desafios para a economia”. E ressalta que essa é uma ação sem prazo para acabar. “É a primeira vez que fazemos um movimento para a sociedade, para que as pessoas percebam que ao comprar do pequeno, elas estão melhorando a sua cidade, gerando empregos e ajudando a economia. ” Abaixo, os principais pontos da entrevista que ele respondeu por e-mail.

Marcelo Pimenta – Existiam metas para a campanha? Elas foram atendidas? Que números / resultados você pode compartilhar?

Luiz Barreto – Criamos o site www.compredopequeno.com.br, onde o internauta escolhe a que tipo de público pertence – consumidor, empresa ou parceiro. De acordo com a opção, terá acesso a diferentes tipos de conteúdo. Caso seja empresário, precisará fazer um cadastro que inclui dados básicos (nome, segmento, endereço) e, a partir disso, será gerado um geolocalizador – que vai permitir aos consumidores buscarem os pontos comerciais mais próximos, que participam do Movimento. Estão disponíveis para download as peças da campanha, para que o dono do pequeno negócio possa caracterizar sua empresa como participante do Movimento. Depois de cadastrado, o empreendedor também tem acesso aos cursos on line do Sebrae e à agenda de ações da instituição e parceiros. Nossa meta era alcançar, antes do dia 5 de outubro, 100 mil empresas cadastradas. Já estamos, até o momento, com quase 170 mil empresas que se cadastraram na página.

Entre 21 e 26 de setembro promovemos uma semana de capacitações, em todo o País, como parte das ações do Movimento. Foram realizadas ações gratuitas de capacitação para microempreendedores individuais (MEI), donos de micro e pequenas empresas, e pequenos produtores rurais. Além dos 700 pontos de atendimento do Sebrae, foram criados 411 pontos adicionais para ampliar o acesso dos pequenos negócios a orientações essenciais para o crescimento da empresa. Montamos uma agenda intensa de cursos, palestras e oficinas principalmente sobre vendas e finanças. Esses temas são importantes em qualquer época, mas em tempos de crise, são ainda mais essenciais para a sustentabilidade do negócio.

Luiz Barreto (com um pedaço de bolo na mão) participando ativamente da Ação do Movimento Compre do Pequeno Negócio na Cidade de Deus, sábado, 3/10, no Rio de Janeiro. Foto de Thelma Vidales.

Luiz Barreto (com um pedaço de bolo na mão) participando ativamente da Ação do Movimento Compre do Pequeno Negócio na Cidade de Deus, sábado, 3/10, no Rio de Janeiro. Foto de Thelma Vidales.

Marcelo Pimenta –  Quais os planos de continuidade para esse movimento?

Luiz Barreto – Todo Movimento só é legitimado quando ganha apoio da sociedade. É isso o que estamos buscando, de forma contínua. Contamos com a adesão de várias instituições para envolver toda a sociedade nessa ação: associações comerciais, associações de bares e restaurantes, de franquias, de salões de beleza, cooperativas e outras. Nossa expectativa é que, a partir de agora, comprar dos pequenos negócios seja percebido também como um ato de cidadania.

Marcelo Pimenta – Que histórias você pode compartilhar conosco?

Luiz Barreto – O Movimento tem sido fortalecido por muitas parcerias para estimular as vendas e valorizar os produtos e serviços oferecidos pelas micro e pequenas empresas. O Buscapé, líder global em comparação de preços, lançou em parceria com o Sebrae um shopping virtual formado exclusivamente por pequenos lojistas. Ao acessar o endereço eletrônico do novo comparador virtual – http://compredopequeno.buscape.com.br – o consumidor pode buscar por preços e produtos em mais de cinco mil e-commerces de pequeno porte. O shopping virtual é um facilitador para o consumidor que já compra dos pequenos negócios ou que aderiu ao Movimento Compre do Pequeno. em prol da retomada da economia.

Outro exemplo é a parceria com a Cielo. Os empreendedores que aderirem ao Movimento terão, por exemplo, benefícios no uso da máquina de débito e crédito da Cielo. Essa parceria foi formalizada em setembro e uma das maiores vantagens será a isenção do aluguel da máquina por 90 dias. A aceitação do cartão como meio de pagamento garante facilidade e conveniência para os consumidores com a utilização das máquinas de débito e crédito, além de maior segurança ao lojista, que tem a garantia de que receberá o valor pela compra de seus produtos e serviços.

Marcelo Pimenta – Qual sua mensagem nesse dia 5 de outubro?

Luiz Barreto – É evidente que o cenário econômico está mais difícil, com redução do consumo. Mas aqui no Sebrae reforçamos que o momento é de cautela, mas não de paralisação. Por isso acreditamos que o momento é de assumir uma postura proativa, identificar novos nichos, agregar valor ao produto ou ao serviço que é oferecido pelos pequenos negócios e, claro, investir no relacionamento com clientes, tendo em vista a proximidade das pequenas empresas com os consumidores. O dono de pequeno negócio precisa investir no atendimento, na gestão eficiente. É fundamental ter qualidade, cumprir prazos, oferecer meios confiáveis de pagamento.

Por outro lado, tem o apoio mais do que necessário da sociedade para fortalecer o segmento que mais gera emprego no País. Muitas pessoas já compram de micro e pequenas empresas, mas não se dão conta. Os pequenos negócios já fazem parte da rotina dos consumidores. O que queremos com o Movimento é que as pessoas comprem do pequeno de forma consciente, que elas entendam a importância desse ato para fomentar a economia de seu bairro e de sua cidade e que valorizem esses empreendedores que contribuem para a melhoria da sua qualidade de vida com produtos e serviços.505

Por Marcelo Pimenta (Menta90). Jornalista, professor e criador do blog Mentalidades.
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