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A FAPESP anunciou o terceiro ciclo de 2016 do programa PIPE, que concede recursos a fundo perdido para empresas. Nesta rodada estão disponíveis R$ 15 milhões para financiar os projetos que forem aprovados.

Se você está desenvolvendo uma tecnologia realmente inovadora e precisa de recursos, o programa PIPE da FAPESP é indicado para você, pois atualmente é um dos melhores mecanismos de apoio à inovação. O programa concede até R$ 1,2 milhões por projeto na forma de recursos não-reembolsáveis (chamados também de fundo perdido ou subvenção).

Interessado? Elaboramos um rápido passo-a-passo para ajudar você a aprovar o seu projeto e captar este recurso.

 

 

Passo 1: Verifique se o projeto e empresa tem aderência ao programa

O primeiro passo é o mais importante: verificar se você tem realmente chances de captar o recurso e não ser desqualificado por um detalhezinho que possa passar desapercebido. Assim, vamos lá aos requisitos:

O PIPE tem como objetivo apoiar Start-ups e pequenas empresas, o que no critério da FAPESP significa ter até 250 funcionários. Além disso, o programa permite pleitear o recurso mesmo sem ter uma empresa constituída, dado que você consiga provar que a equipe tem capacidade de posteriormente levar a tecnologia ao mercado de forma bem sucedida.

Há também como requisito que a pesquisa seja realizada no Estado de São Paulo, o que não significa que a sede da empresa também tenha que ser no Estado. Já aprovamos projetos cuja pesquisa está sendo realizada pela filial em São Paulo, ao passo que a matriz fica em outro Estado.

Por último, a FAPESP só aprova projetos que tenham como diferencial pelo menos três elementos: uma tecnologia realmente inovadora do ponto de vista técnico; um potencial comercial relevante e uma equipe com boa escolaridade e histórico bem sucedido em pesquisas anteriores. A tecnologia a ser desenvolvida deve apresentar um claro avanço no estado-da-arte na área em questão, e é importante que o projeto gere algum conhecimento novo no seu setor. Assim, tenha cuidado de olhar com critério para ver se o seu projeto realmente atende estes critérios antes de submeter.

Passo 2: Defina a fase do programa

O PIPE possui três fases (I, II e III). Se o seu projeto de pesquisa está em estado muito inicial, recomenda-se submetê-lo à Fase I, que é voltada para projetos que estão em estado de comprovação da viabilidade técnica. Nessa fase são concedidos até R$ 200 mil reais para um projeto com até 9 meses de duração.

Caso sua tecnologia já tenha a viabilidade técnica comprovada, a Fase II do PIPE é a ideal. Ela é voltada para transformar e amadurecer uma tecnologia em estágio inicial até torná-la um protótipo de produto ou tecnologia com potencial de comercialização. A Fase II concede até R$ 1 milhão para um projeto com duração de até 24 meses.

A fase III é realizada periodicamente em editais separados, sendo que só pode participar quem já teve um projeto aprovado no PIPE fase I ou fase II. Na fase III a empresa vai realizar o desenvolvimento do protótipo da tecnologia para torná-la um produto comercializável e industrializável. Cada edital do fase III tem suas regras específicas, podendo se limitar a algum setor industrial, definir valores limites por projeto, entre outros.

Passo 3: Defina o pesquisador responsável

Escolhida a fase do programa, é necessário que você defina quem será o pesquisador responsável junto à FAPESP. O pesquisador responsável será o elemento chave para realização do projeto e orientação dos bolsistas, visando a superação dos desafios e riscos tecnológicos da pesquisa.

Na visão da FAPESP, a figura do pesquisador responsável é o elemento mais importante na análise, o que significa que grande parte das suas chances de aprovação está baseada na análise do currículo desta pessoa, seu expertise e sua capacidade de levar a cabo a pesquisa até o fim, superando os desafios apresentados. Deste modo, é necessário que a pessoa escolhida tenha um histórico sólido de P&D na área. Também é recomendado, embora tenhamos projetos aprovados que não obedecem a essa regra, que o pesquisador responsável tenha pelo menos nível de escolaridade de mestrado ou superior (doutorado ou pós-doc). Para casos que não há essa titulação, recomenda-se enfatizar bem a experiência profissional da pessoa em sua área de atuação.

Passo 4: Monte o projeto de Pesquisa

O projeto de pesquisa é o documento mais importante do pleito. Nele é necessário demonstrar os problemas que sua tecnologia visa solucionar, bem como enfatizar o potencial da tecnologia em relação ao estado-da-arte naquela área.

Tenha critério ao elaborar o cronograma e o plano de atividades dos bolsistas, se houver pedido de bolsas. Neste caso, é importante justificar tanto a necessidade da expertise do bolsista no projeto bem como embasar que suas atividades no projeto são compatíveis com o tempo de bolsa solicitado.

Passo 5: Monte o Plano de Negócios

O plano de negócios só é requisitado no PIPE fase II e III. Embora um pouco menos relevante que o Plano de Pesquisa, o objetivo do plano de negócios é provar que há uma relevância comercial para o que está sendo pesquisado, ou seja, que o novo produto ou serviço criado terá um impacto significativo em seu mercado.

Além disso, é importante mostrar que você fez a sua lição de casa e tem ciência do contexto de mercado na qual ela e sua tecnologia se encontram. Assim, itens como uma análise SWOT da empresa, bem como a comparação com tecnologias e produtos similares e substitutos são imprescindíveis para corroborar a importância do projeto para o mercado.

Outra parte essencial é garantir que haja viabilidade financeira no que irá ser produzido e posteriormente comercializado, demonstrando todos os investimentos, receitas, custos e despesas ao longo a exploração comercial do produto.

Se o seu projeto for o desenvolvimento no Brasil de uma tecnologia existente no exterior, tome o cuidado de não embasar a argumentação apenas no fato de que o preço será menor por ser produzida localmente. Empresas estrangeiras podem baixar o preço devido à concorrência, ou mesmo fazer dumping no seu produto, o que tira parte da atratividade comercial do projeto.

Passo 6: Orçamento

Na determinação do orçamento é que se indica aonde será utilizado o recurso financeiro. Aqui é importante observar que o programa somente financia: material de consumo, material permanente, serviços de consultoria especializada e bolsas. O PIPE fase I e II não subvenciona salários de qualquer natureza, o que pode ser um entrave para empresas que queiram financiar a sua equipe existente de P&D. Deve-se também justificar o porquê do projeto necessitar de serviços de terceiros, equipamentos etc, bem como apresentar três orçamentos (cotações) de tudo em consonância com a lei de licitações. Cuidado na hora de apresentar os orçamentos, que devem ser estritamente idênticos. Naturalmente, a menor cotação deve ser a escolhida. Atente também ao valor total dos itens orçados, para não extrapolar os limites do programa e ter o projeto eliminado.

Passo 7: Elaboração dos documentos auxiliares

Além dos documentos acima descritos, a FAPESP solicita alguns documentos auxiliares, como formulário do projeto e da equipe, resumo em inglês, justificativa de orçamento etc. É importante não se perder na elaboração de todo o material para a FAPESP, que é grande, pois em programas desse tipo um pequeno erro, como esquecer do contrato social da empresa, pode significar eliminação sumária.

Um bom projeto bem redigido e estruturado tem aprovação quase certa, pois neste programa sobram recursos e faltam bons projetos. Caso queira mais informações, dicas, ou orientação de como aprovar o seu projeto, não hesite em nos contatar ou ler mais sobre o PIPE em nosso blog.

Esperamos que esse conteúdo tenha sido interessante para você. Para maiores informações sobre captação de recursos de fundo perdido, financiamentos ou investimento privado para o desenvolvimento de novas tecnologias, não deixe de acessar o blog da idr consultoria!

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Autor: Felipe Meiroz atua há mais de 10 anos na idr consultoria como especialista na captação de   financiamentos e investimentos em venture capital, programas de subvenção e aplicação dos incentivos da Lei do Bem e Lei da Informática para empresas de tecnologia. É professor do MBA PECE – USP na área de Gestão de Inovação e professor convidado da FAJ, do MBA executivo da Universidade Mauá e do Business Institute Internacional, e também ministra palestras e cursos in-company sobre Gestão de P,D&I. Felipe é engenheiro eletricista pela UNICAMP, possui MBA em Business Economics pela FGV- EESP e pós-graduação em Marketing Organizacional pelo Instituto de Economia da UNICAMP.

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