Quem são nossos líderes?

Quem temos para usar como modelo de liderança criativa no Brasil?

Esse tema vem sendo questionado de forma recorrente no novo curso que criamos na ESPM São Paulo, Design Thinking e Liderança Criativa. Uma turma engajada, formada por diversos perfis, vem refletindo sobre o tema – e nos deparamos, realmente, com a dificuldade de listar nomes de líderes criativos.

Nas nossas atividades, estamos construindo um conceito que nos satisfaça (existe muito pouca bibliografia em português sobre o assunto).

Nesse processo de trabalho, por enquanto,  pensamos que “o estilo do líder criativo é o de orquestrar pequenos eventos, sem perder a visão de longo prazo e prevendo as mudanças evolutivas constantes”. Ainda não estamos satisfeitos, pois precisamos inserir nessa definição a condição de ser  “uma pessoa inspiradora com quem se gosta de trabalhar”. Até que o curso acabe esse conceito deverá estar já melhor definido.

E são com essas reflexões em mente que tive a oportunidade de ver na São Paulo Fashion Week, talvez, uma demonstração do que é um líder criativo em ação.

A coleção de Ronaldo Fraga foi um manifesto. Uma denúncia sobre o fato do Brasil ser o país do mundo que mais mata transexuais. É um indicador vergonhoso da nossa intolerância, do nosso preconceito. A coleção “El Dia em Que Me Quieras” é uma homenagem a boutique de Ney Galvão, que na Itabuna dos anos 70 criava as roupas mais desejadas pelas “travestis” da época. E mostra que sua arte está impregnada de propósito (e essa é uma das características que temos visto ser imprescindíveis no líder criativo: ele sabe o que quer, tem uma razão que o motiva.

Para a passarela, Ronaldo Fraga escalou apenas transexuais, pois “a moda não é apenas a forma de ver poesia em terreno árido, como também lançar luz sobre a face da roupa e deve encontrar uma forma de libertação”. E como o próprio Ronaldo justifica:   “durante toda a vida, uma pessoa trans luta para ser reconhecida por um gênero diferente daquele do nascimento. Em nossas cidades, a essas pessoas são negados registros de nome e até o banheiro público com o qual se identificam. O mesmo acontece na escola, no trabalho e em todas as frentes sociais”.

Para não fazer o texto longo demais, queria compartilhar uma demonstração que registrei com o meu celular e que dá mais uma pista de que Ronaldo pode ser um dos exemplos de líderes que precisamos. Vejam a humildade com que ele reverencia cada modelo ao final do desfile. E você nota na emoção a sinceridade de cada ato.

 

Parabéns Ronaldo por sua ousadia, por sua coragem, por teu talento.

Se você quiser assistir o desfile na íntegra é só clicar aqui.

Por Marcelo Pimenta (Menta90). Jornalista, professor e criador do blog Mentalidades.
Conheça as palestras e cursos que ele oferece e saiba como ele pode te ajudar a inovar.

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